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Meu nome é Olívia Fraga, gosto de ler e é só isso que você precisa saber. |
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quinta-feira
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É bom, mas é ruim Preciso saber por que adoro odiar o Keane. Eles fazem um tipo de música absolutamente agradável aos ouvidos (quem disse que isso é pecado?). O segundo disco supera o primeiro: há pelo menos quatro músicas que eu gostei de primeira, "Crystal Ball", "Atlantic", "Nothing in My Way" e "Broken Toy". Assim, sem fazer força para gostar, porque tem refrão e belos acompanhamentos - mérito de uma produção irretocável, feita para agradar mesmo. O timbre do vocalista lembra o Bono em seus melhores dias, mas é ainda melhor que o irlandês, mais afinado e pungente. O cara pode cantar qualquer coisa com aquela voz, que "é capaz de encher o Grand Canyon", como disse alguém no New York Times, se não me equivoco. A questão que se coloca é a seguinte, a meu ver: por que gostar de uma banda que não acresenta nada? Até gostar de The Killers é mais aceitável. Tenho de completar zilhões de lacunas em minha formação musical roqueira, e esse ano teve gente muito mais interessante lançando novo disco na praça. Será que vale a pena perder tempo com outro Coldplay, outra banda-dublê de Radiohead? Aliás, eles brincam de gangorra com o Coldplay, notei dia desses. Enquanto o grupo do Chris Martin tem guitarras e parece querer nos salvar da depressão ("I will try to fix you", que pretensão!), o trio-sem-guitarra do gordinho quer mais é ser um loser ser culpa, jogado na sarjeta da vida. ("Broken Toy" é a melhor do novo disco do Keane, com uma letra interessante - que não fala sobre garotas, como muitos acreditam, embora também seja sobre "perda" - bons vocais e boa música, tudo certinho e no lugar). Vale dizer que eles se encaixam quase com perfeição na categoria de "bandas-coxinha", conceito que vem sendo discutido na comunidade da Bizz no Orkut. Eu disse "quase" porque eu não consigo vê-los ao lado das "coxinhas" brasileiras, tipo Skank.
Se a idéia dessas novas bandas é sacudir o mercado fazendo "mais do mesmo", o Keane tá ganhando de lavada. Eles parecem com o Coldplay no que a banda do Chris Martin tem de pior (e de mais apelativo), que é o som grandioso apesar das letras patéticas, que eu carinhosamente chamo de "bolhas de sabão" - parecem tão profundas e pungentes, mas quando a música acaba você tem impressão de ter ouvido trechos de Paulo Coelho musicados. O Coldplay é o que é hoje por causa dessa grandiosidade, que obviamente encanta os órfãos de U2 e tantos outros que sonham ainda encontrar a "banda de pop-rock do coração". É imperdoável. Aliás, começar a carreira fonográfica com uma música como "Somewhere Only We Know", como o Keane começou, é só para quem não tem medo de parecer ridículo. A música é tão politicamente correta que passa do ponto. Onde está a raiva explosiva dessa banda de rock? Bem, acho que estou querendo demais de um bando de carinhas que curtem fazer um som. Pra dizer a verdade, o problema sou eu e não eles. Parece que estou à caça de estereótipos rock'n'roll para poder gostar mais de Keane. Aliás, já consegui: o vocalista gordinho andou se internando em clínica de desintoxicação...
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